Senador Rogério Marinho quer Flávio como opositor à distância, como María Corina

Redação 011
2 Min
Marinho propõe voto declarado da direita para enfrentar Alcolumbre na disputa pelo Senado
foto: Jefferson Rudy/ Agência Senado

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, citou a política venezuelana María Corina Machado ao defender que Flávio poderia comandar a oposição brasileira mesmo estando no exterior. Questionado sobre a possibilidade de o senador exercer essa função fora do país, Marinho respondeu: “A María Corina faz isso há muito tempo”. A declaração estabelece um paralelo político com opositores de Nicolás Maduro que mantiveram sua atuação depois de deixar a Venezuela ou passar períodos sob exílio e clandestinidade.

A referência ocorre depois de Flávio contestar o resultado do segundo turno e anunciar medidas judiciais contra a eleição. Segundo aliados, o senador seguiu para os Estados Unidos com a família. Marinho afirmou não ter sido informado previamente sobre a viagem, mas disse compreender uma eventual decisão de permanecer fora do Brasil diante das medidas judiciais adotadas contra ele. Antes disso, Flávio havia afirmado que permaneceria no país e pretendia assumir a liderança da oposição ao novo governo Lula.

O precedente venezuelano citado pelo senador ganha força sobretudo depois da eleição presidencial de 2024. O Conselho Nacional Eleitoral declarou Nicolás Maduro vencedor sem publicar os resultados desagregados por seção, enquanto o Carter Center concluiu que a eleição não cumpriu padrões internacionais de integridade e não poderia ser considerada democrática. Depois da contestação, González recebeu ordem de prisão e deixou o país em busca de proteção na Espanha.

María Corina enfrentou perseguição e permaneceu escondida, enquanto outros dirigentes oposicionistas foram presos ou buscaram asilo diplomático. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos documentou, no período pós-eleitoral, mais de 2 mil detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados, tortura e perseguição contra opositores e manifestantes. É esse histórico de contestação eleitoral seguida de repressão e exílio que serve de referência para o paralelo feito por Marinho com Flávio.

Compartilhe este artigo