O Ibovespa voltou a operar em queda nesta quarta-feira (28), três dias depois da reeleição de Lula, prolongando a instabilidade que atingiu os ativos brasileiros após o segundo turno. O movimento ocorre depois de o índice despencar 13,88% na segunda-feira (26), maior queda desde 2020, e recuar outros 0,51% na terça. A reação inicial pós-eleição eliminou R$ 734 bilhões do valor de mercado das empresas negociadas na B3 em apenas um pregão.
A cautela permanece concentrada principalmente na política fiscal que será adotada durante os próximos quatro anos. Analistas apontam preocupação com a trajetória da dívida, despesas obrigatórias e capacidade do governo de produzir resultados primários consistentes. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que comunicou a Lula a necessidade de oferecer uma sinalização ao mercado e disse que o governo possui medidas preparadas para buscar o centro da meta fiscal. Investidores, entretanto, aguardam medidas concretas e a definição da equipe econômica do próximo mandato.
A dimensão da reação também aparece no mercado de câmbio. Investidores estrangeiros fizeram uma compra líquida recorde de US$ 6,84 bilhões em dólares por meio de derivativos negociados na B3 na segunda-feira, primeiro pregão após a eleição. Analistas ressaltam, porém, que parte expressiva do tombo inicial decorreu do desmonte de posições montadas sob a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e de uma agenda considerada pelo mercado mais favorável ao ajuste fiscal. A continuidade da pressão sobre os ativos dependerá, segundo as avaliações do mercado, das primeiras decisões econômicas e fiscais anunciadas para o novo mandato.

