O Banco Central afirmou nesta terça-feira (27) que não identifica riscos relevantes para a estabilidade financeira do Brasil, um dia depois de uma das mais fortes turbulências recentes nos mercados. Na segunda-feira (26), primeiro pregão após a reeleição de Lula, o Ibovespa despencou 13,88%, aos 176.608 pontos, e acionou o circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020. O dólar disparou 8,36%, maior valorização diária da moeda norte-americana em 23 anos, em meio à reavaliação dos ativos brasileiros depois do resultado eleitoral.
A avaliação do BC consta do Relatório de Estabilidade Financeira, referente ao primeiro semestre de 2026. Segundo a autoridade monetária, o Sistema Financeiro Nacional continua apresentando níveis confortáveis de capitalização e liquidez, além de provisões adequadas para enfrentar perdas esperadas. O diagnóstico considera também o aumento da inadimplência e a desaceleração do crédito bancário, mas conclui que esses fatores não representam, neste momento, ameaça relevante à estabilidade do sistema.
A manifestação ocorre enquanto investidores ainda avaliam os efeitos econômicos da eleição. A queda da Bolsa na segunda-feira chegou a superar 17% durante o pregão, antes de o Ibovespa reduzir as perdas, enquanto o dólar terminou o dia acima de R$ 5,40. Analistas atribuíram grande parte da reação à desmontagem de posições construídas sobre a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e às preocupações dos investidores com a trajetória fiscal no próximo mandato de Lula. Nesta terça, o dólar apresentava correção parcial da disparada da véspera, enquanto o mercado aguardava novas sinalizações sobre política fiscal e a formação da equipe econômica.

