A Justiça dos Estados Unidos emitiu um mandado de prisão contra o ex-ditador cubano Raúl Castro, de 95 anos, acusado de conspiração para cometer homicídio em primeiro grau pela derrubada de duas aeronaves civis da organização Hermanos al Rescate, em 1996. Quatro pessoas morreram depois que caças cubanos atingiram os aviões, que estavam desarmados e, segundo a acusação americana, sobrevoavam águas internacionais. Raúl era ministro das Forças Armadas e primeiro vice-presidente de Cuba. Em maio, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos já havia apresentado acusações federais contra ele e outros cinco integrantes do regime, incluindo conspiração para matar cidadãos americanos, destruição de aeronaves e quatro acusações de homicídio.
O episódio se soma ao histórico de violações atribuído ao regime comunista comandado por Fidel e, posteriormente, Raúl Castro. Cuba permaneceu sob um sistema de partido único, com perseguição a dissidentes e restrições às liberdades políticas. A relação dos irmãos Castro com Lula, porém, atravessou décadas. Lula conheceu Fidel ainda quando era líder sindical e manteve proximidade com o dirigente cubano. Já no governo, visitou Havana, defendeu a aproximação internacional com Cuba e aprofundou relações econômicas entre os dois países. Em 2008, encontrou-se durante mais de duas horas com Fidel e elogiou publicamente sua “lucidez”, além de agradecer a Raúl pela recepção e convidá-lo a visitar o Brasil.
Os vínculos também se estenderam às relações entre os governos brasileiro e cubano. Durante os mandatos de Lula, o Brasil ampliou a cooperação econômica com Havana e, posteriormente, o BNDES financiou a construção do Porto de Mariel.

