Lula apresentou nesta terça-feira (20) uma autorização para a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos, além dos dados da primeira-dama Janja e de seus cinco filhos. A iniciativa formaliza o desafio feito durante o debate da Band, mas estabelece uma condição: as informações só poderão ser acessadas caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também autorize a quebra dos próprios sigilos e dos dados de familiares e empresas relacionadas.
A proposta de Lula trata de informações pessoais e não altera o nível de transparência dos gastos realizados com cartões corporativos da Presidência. Em auditoria sobre os Cartões de Pagamento do Governo Federal (CPGF), o Tribunal de Contas da União constatou que, dos R$ 55,49 milhões gastos pela Presidência entre janeiro de 2023 e abril de 2025, 99,55% estavam classificados como sigilosos. O TCU apontou “graves lacunas” na divulgação, incluindo impossibilidade de identificar itens específicos adquiridos e de relacionar determinadas despesas às respectivas notas fiscais ou recibos.
O tribunal determinou à Presidência que ampliasse a transparência das despesas que não representem risco à segurança do presidente, do vice e de seus familiares. O TCU também registrou que a Presidência e a Vice-Presidência não haviam divulgado de maneira “adequada, suficiente e tempestiva” as despesas realizadas com os cartões. Assim, enquanto Lula propõe abrir seus dados bancários, fiscais e telefônicos mediante reciprocidade de Flávio, o detalhamento da maior parte dos gastos do cartão corporativo presidencial permanece submetido às restrições de acesso aplicáveis durante o mandato.

