O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (27) que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar uma possível interferência estrangeira nas eleições presidenciais de 2026, incluindo suspeitas de financiamento externo em benefício da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). A apuração também deverá examinar publicidade eleitoral paga por agentes estrangeiros e eventual manipulação de algoritmos de plataformas digitais para favorecer ou prejudicar candidaturas. A abertura do inquérito não significa que as irregularidades tenham sido comprovadas.
A decisão foi tomada no âmbito da ADPF 1.178, após manifestações do PT e denúncias encaminhadas à Justiça Eleitoral pelo então candidato Renan Santos. Entre os pontos mencionados por Dino estão supostas tratativas envolvendo empresários brasileiros e a Rockbridge Network, organização norte-americana, para obter apoio à candidatura de Flávio. A PF deverá verificar se houve transferência de dinheiro, prestação de serviços, disponibilização de pessoal ou qualquer outra vantagem econômica de origem estrangeira. Também serão investigadas publicações pagas por perfis sediados fora do Brasil e conteúdos relacionados às previsões eleitorais da Polymarket.
A investigação será conduzida separadamente e permanecerá sob supervisão do STF devido à possibilidade de envolvimento de integrantes do Congresso. A controvérsia sobre uma suposta interferência externa já vinha sendo discutida durante a campanha: no início de outubro, integrantes do TSE ouvidos pela Folha de S.Paulo classificaram como “exagero” a apuração preliminar aberta pela PF, enquanto o presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, declarou à época que não havia “ameaça concreta” de interferência estrangeira. O governo dos Estados Unidos também havia negado tentativa de interferir na eleição e afirmado que trabalharia com qualquer governo escolhido pelos brasileiros.

