A dívida bruta do governo brasileiro subiu para 82,9% do PIB em setembro, maior nível desde 2021, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Em valores, o endividamento chegou a aproximadamente R$ 11,1 trilhões. No mesmo mês, o setor público consolidado (União, estados, municípios e empresas estatais) registrou déficit primário de R$ 5,5 bilhões.
As projeções indicam continuidade da pressão sobre o endividamento nos próximos anos. O FMI estima que, pela sua metodologia internacional, a dívida bruta brasileira alcance 97,8% do PIB em 2026, 100% em 2027 e 105,3% em 2031, permanecendo acima do tamanho anual da economia na década seguinte. O cenário combina crescimento da dívida, despesas obrigatórias, elevado custo dos juros e necessidade de resultados fiscais maiores para estabilizar o endividamento.
Os números aparecem em um momento de desaceleração da atividade econômica. A CNI reduziu sua projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026 de 2% para 1,6% e estima dívida bruta de 83,7% do PIB no encerramento deste ano. A evolução da relação dívida/PIB nos próximos anos dependerá principalmente do crescimento econômico, do nível dos juros, da arrecadação e dos resultados das contas públicas.

