FMI tira Venezuela do posto de país mais pobre da América do Sul após intervenção dos EUA

Redação 011
2 Min
FMI tira Venezuela do posto de país mais pobre da América do Sul após intervenção dos EUA
foto: Wilmer Naveda/ Site da Presidência da Venezuela

A Venezuela deixou de ocupar a última posição da América do Sul em PIB per capita nominal, segundo os valores do World Economic Outlook do Fundo Monetário Internacional de outubro de 2026. O indicador venezuelano chegou a US$ 4.355 por habitante, contra US$ 4.223 da Bolívia, que passaria a ocupar a última posição regional. A inversão ocorre depois de mais de duas décadas de colapso da economia venezuelana e em um momento de deterioração econômica boliviana. Isso não significa que a Venezuela tenha superado a pobreza ou recuperado os níveis de renda anteriores à crise: a mudança decorre da combinação entre recuperação a partir de uma base extremamente deprimida e forte enfraquecimento da economia boliviana.

A diferença entre os dois países está também na trajetória recente. A Bolívia enfrenta escassez de divisas, redução das receitas provenientes do gás natural, pressão sobre suas reservas internacionais e dificuldades para sustentar subsídios aos combustíveis. O FMI projeta contração de 3% da economia boliviana em 2026 e nova queda de 1,5% em 2027. A Venezuela, por sua vez, apresenta expansão econômica depois de ter perdido grande parte de seu PIB durante a longa crise inicida pelo governo do ditador Hugo Chávez e aprofundada sob Nicolás Maduro. A dolarização informal, a recuperação da atividade petrolífera e as mudanças econômicas posteriores à queda da ditadura integram o novo cenário, embora separar quantitativamente o efeito de cada fator exija séries posteriores à transição.

A mudança econômica acontece paralelamente à transição política venezuelana e às discussões sobre novas eleições. Washington restabeleceu relações com autoridades venezuelanas e participa das negociações sobre a reorganização institucional do país. Donald Trump foi além e chegou a sugerir publicamente que a Venezuela poderia tornar-se o 51º estado norte-americano. Até agora, porém, não existe referendo oficial convocado nem processo formal de incorporação aos Estados Unidos.

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