A Rússia e a Ucrânia confirmaram nesta quinta-feira (9) um cessar-fogo temporário de 32 horas durante o feriado da Páscoa Ortodoxa. A medida, que terá início às 16h de sábado (11) e se estenderá até o fim do domingo (12), foi anunciada após quatro anos de confrontos contínuos no leste europeu. Apesar de já terem ocorrido outras pausas limitadas ao longo do conflito, ambas as nações frequentemente se acusaram de descumprir os acordos estabelecidos.
O anúncio foi feito pelo Kremlin e aceito pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, que declarou que o país está disposto a adotar medidas “simétricas” diante da proposta russa. Zelensky afirmou que a população precisa de uma Páscoa sem ameaças e destacou que a Rússia terá a oportunidade de não retomar os ataques após o período religioso. Do lado russo, Vladimir Putin classificou a iniciativa como uma pausa situacional, reforçando a estratégia de Moscou em consolidar uma ordem multipolar no cenário internacional.
Embora o cessar-fogo represente um gesto humanitário, as negociações de paz seguem travadas. Nos últimos dias, houve a troca de corpos de soldados entre os dois países, em uma ação coordenada. A Ucrânia mantém cautela em relação a possíveis concessões em regiões estratégicas como Donbas, enquanto alerta para o risco de novos avanços militares russos caso não sejam apresentadas garantias concretas de segurança. O cessar-fogo, portanto, é visto como uma medida pontual, sem perspectiva imediata de solução definitiva para o conflito.

