Uma proposta para reduzir rapidamente a Selic ganhou espaço no debate econômico após chegar ao radar de Lula. Elaborado pelo economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, a ideia prevê levar a taxa básica dos atuais 13,75% para cerca de 7,5% em 12 meses e, posteriormente, mantê-la dentro de uma faixa associada à meta de inflação e ao crescimento potencial da economia. A proposta também criaria um Conselho Fiscal e Monetário Nacional para coordenar metas fiscais e monetárias. Apesar da repercussão, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o tabelamento dos juros não está atualmente nos planos do governo.
A experiência recente da Turquia tornou-se uma das principais referências no debate sobre os riscos de reduzir juros enquanto a inflação permanece elevada. A partir de 2021, o país promoveu cortes agressivos da taxa básica mesmo com forte pressão inflacionária. Segundo o FMI, a política pressionou significativamente a lira turca e foi acompanhada por intervenções cambiais e outras medidas para sustentar a moeda. A inflação acabou chegando a 85% em outubro de 2022, maior nível em 24 anos. Posteriormente, a Turquia mudou a direção da política monetária e voltou a elevar fortemente os juros.
Lara Resende sustenta uma tese diferente da política monetária convencional: para ele, os juros excessivamente altos contribuem para elevar a dívida pública e podem, no longo prazo, alimentar a própria inflação. O economista reconhece que uma redução da Selic poderia provocar inicialmente um repique inflacionário, inclusive pela desvalorização cambial, e propõe utilizar parte das reservas internacionais para amortecer esse movimento.

