O Partido Liberal decidiu intensificar sua estratégia na Câmara ao propor a adoção da escala 4×3 (quatro dias de trabalho e três de descanso) durante a votação da PEC que altera a jornada semanal. A iniciativa, anunciada pelo líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), busca confrontar o discurso do governo, que defende a redução para 40 horas semanais com escala 5×2. Ao apresentar o destaque de preferência, o PL pretende colocar em evidência o caráter eleitoral da proposta defendida pela esquerda, que tenta transformar o tema em bandeira política para Lula.
A movimentação ocorre em meio à disputa sobre a jornada de trabalho, considerada prioridade pelo governo Lula. O relator Leo Prates (Republicanos-PB) apresenta seu parecer na comissão especial nesta quarta-feira (27), com possibilidade de votação em plenário já no dia seguinte. Nos bastidores, parlamentares da oposição afirmam que a estratégia do PL é obrigar o petista e sua base a rejeitarem uma proposta que, em tese, oferece mais folga ao trabalhador, expondo assim a contradição entre o discurso e a prática da esquerda.
Além disso, a bancada liberal também sinalizou apoio ao projeto da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que prevê a escala 4×3, reforçando a pressão sobre o Governo Federal. O PL já havia assinado emenda que sugeria jornada de 52 horas semanais com transição de dez anos, mas agora aposta em inverter o jogo político. A expectativa é que a disputa sobre os modelos de escala provoque atrasos na tramitação da PEC e amplifique o desgaste do governo, que tenta usar o tema como vitrine eleitoral em ano de campanha.








