Evo Morales, ex-mandatário da Bolívia e líder da esquerda, voltou a defender a queda do governo legitimamente eleito de Rodrigo Paz. No domingo (24), Morales pediu a convocação de novas eleições em até 90 dias, alegando que apenas uma transição poderia pacificar o país. A declaração foi feita em seu programa semanal de rádio, onde afirmou que a renúncia de Paz seria necessária para evitar mais confrontos e mortes.
A crise política se soma a um cenário econômico delicado. Desde o início de maio, sindicatos, mineradores e grupos rurais promovem bloqueios de estradas e ocupações de prédios públicos, exigindo a reversão das medidas de austeridade e a renúncia do atual presidente. A escassez de dólares, o fim dos subsídios à gasolina e a alta da inflação agravaram a situação, levando à falta de alimentos, medicamentos e combustíveis em diversas regiões. Hospitais relatam ausência de cilindros de oxigênio e bancos fecharam por precaução.
Até este domingo, foram registrados 59 pontos de bloqueio, principalmente na região andina. Barreiras com fios, valas e máquinas de cimento impedem o transporte de produtos essenciais para La Paz e El Alto. A polícia de choque realizou operações para liberar estradas, utilizando gás lacrimogêneo contra manifestantes armados com estilingues e fogos de artifício. O governo dos Estados Unidos acompanha os desdobramentos e já sinalizou apoio a Paz, com o secretário de Estado Marco Rubio afirmando que não permitirá que “criminosos e traficantes de drogas derrubem líderes democraticamente eleitos”.










