O senador Jaques Wagner é um dos alvos da Polícia Federal em uma operação que apura a participação de políticos e autoridades num esquema fraudulento envolvendo bancos. Atual líder do governo Lula no Senado, o petista já ocupou cargos de deputado federal, governador e ministro. Além dele, Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno (liquidado em fevereiro), também está na mira das investigações da PF. Ele é ex-sócio de Daniel Vorcaro.
Durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero, realizada em São Paulo, Bahia e Distrito Federal, os agentes apreenderam US$ 49 mil em espécie em um endereço vinculado a Wagner em Brasília, valor equivalente a cerca de R$ 250 mil. A investigação aponta que o senador teria recebido um apartamento de R$ 2,4 milhões em Salvador, viagens em aeronaves privadas, ingressos para eventos internacionais e repasses financeiros que somam R$ 3,5 milhões a empresas ligadas ao seu núcleo familiar, em troca de atuação política favorável ao Banco Master.
Mensagens e registros de contato indicam proximidade entre Wagner e Augusto Ferreira Lima, inclusive durante negociações de venda do Banco Master ao BRB. Em uma mensagem de março de 2025, Lima escreveu ao senador: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso”, o que, para a PF, sugere participação ativa do parlamentar em tratativas estratégicas. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, e segue em andamento para apurar o alcance das supostas vantagens recebidas pelo líder governista.

