A operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do Governo Federal no Senado, foi conduzida sem aviso prévio à cúpula da corporação e ao Palácio do Planalto. A decisão partiu do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do inquérito sobre o Banco Master, que determinou que os desdobramentos não fossem comunicados ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A medida evitou que informações chegassem a Lula, próximo de Wagner, e reduziu o risco de vazamentos ou interferência política na investigação.
O episódio surpreendeu o governo Lula, já que em operações anteriores envolvendo integrantes da administração federal, a direção da PF costumava ser informada previamente. Em 2023, por exemplo, quando o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi preso sob suspeita de receber propina, Rodrigues comunicou pessoalmente Lula no Palácio da Alvorada. Desta vez, porém, o procedimento foi diferente: o diretor da PF estava acompanhando Lula em agenda internacional na França quando soube da ação contra Wagner, o que gerou críticas internas e desgaste político.
A operação desta quinta-feira (18) apura se Wagner atuou em favor do Banco Master no Congresso em troca de vantagens indevidas. Nove dias antes da ação, o senador havia conversado com Rodrigues nos bastidores de um evento no Planalto, enquanto Lula posava para fotos. O teor do diálogo não foi revelado, mas o encontro reforça a proximidade entre o diretor da PF e o investigado. Aliados do PT admitiam a possibilidade de que o partido na Bahia fosse atingido pelas investigações, mas afirmam que não esperavam a forma como a operação foi deflagrada.

