O setor varejista brasileiro enfrenta uma nova onda de dificuldades financeiras, com grandes grupos anunciando prejuízos expressivos e pedidos de recuperação judicial. O caso mais recente envolve o Grupo Casas Bahia, que protocolou no domingo (16) um pedido de recuperação judicial no Foro Central Cível de São Paulo. A medida abrange dez empresas do conglomerado e busca reorganizar dívidas que somam cerca de R$ 17,3 bilhões, em um cenário que expõe a fragilidade da política econômica do pais, incapaz de estimular o consumo e aliviar a pressão sobre o setor.
A decisão da companhia foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador, e segue a tentativa anterior de renegociação extrajudicial realizada em 2024, quando foram reestruturados R$ 4,1 bilhões em dívidas. O mecanismo de recuperação judicial, previsto na legislação brasileira, permite que empresas em crise financeira renegociem seus compromissos sob supervisão da Justiça, evitando a falência e preservando empregos. O movimento da Casas Bahia se soma a outros grupos varejistas que também enfrentam dificuldades, como Tok&Stok e Mobly, que já haviam solicitado proteção judicial para lidar com dívidas superiores a R$ 1 bilhão.
No caso do Grupo Toky, dono das marcas Tok&Stok e Mobly, os números divulgados no sábado (15) reforçam a gravidade da situação. A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 232,7 milhões no segundo trimestre, mais que o dobro das perdas do mesmo período de 2023. A receita líquida caiu 37,3% em um ano, para R$ 207,1 milhões, enquanto o Ebitda ficou negativo em R$ 156,2 milhões. As vendas brutas também recuaram quase 32%, totalizando R$ 295,2 milhões.

