Enquanto a cúpula do STF blinda privilégios e penduricalhos de magistrados, 138 jornalistas e radialistas da emissora oficial cruzam os braços contra o abandono e o risco de prisão por atraso em pensões alimentícias.
O Supremo Tribunal Federal (STF), Corte máxima do país que se arvora no papel de guardiã absoluta dos direitos constitucionais e trabalhistas dos brasileiros, transformou-se no palco de um escândalo administrativo vergonhoso. Jornalistas e radialistas da Rádio e da TV Justiça decidiram decretar greve geral por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira, dia 15 de junho.
A paralisação, confirmada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), é uma reação desesperada de 138 profissionais contra uma sequência de calotes, atrasos salariais crônicos e o sumiço dos recolhimentos de FGTS perpetrados pela Fundac (Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação), empresa terceirizada que opera a emissora da Corte há longos nove anos.
A situação dos trabalhadores que colocam os ministros no ar diariamente beira a humilhação. Além de salários atrasados e férias vencidas, os funcionários relatam que o auxílio-alimentação foi cortado e que valores de pensão alimentícia estão sendo descontados de suas folhas de pagamento, mas não são repassados aos beneficiários — o que coloca os pais de família em risco iminente de prisão civil por inadimplência. O mais grave é o silêncio e a conivência do STF: apesar de o tribunal renovar o contrato com a Fundac consecutivamente por quase uma década, a cúpula do Judiciário agora se esquiva da responsabilidade solidária, alegando que o problema é estritamente da terceirizada.
A conduta do STF contrasta diretamente com a da Câmara dos Deputados, que em episódios semelhantes bloqueou os recursos da empresa contratada para garantir o sustento dos trabalhadores. Com o encerramento do contrato previsto para o fim de julho, o temor é de que a Fundac decrete falência e deixe os profissionais sem verba rescisória, expondo ao mundo a hipocrisia de um tribunal que dita regras para o Brasil, mas não limpa o próprio quintal.

