Há algo profundamente perturbador na forma como o establishment político e jurídico brasileiro tem tratado Jair Bolsonaro — o político que mais desconforto causa às elites de Brasília, mesmo sem ocupar qualquer cargo público. A condenação do ex-presidente, sem provas de que tenha articulado um golpe de Estado, soa menos como um esforço por justiça e mais como uma manobra estratégica. O objetivo é evidente: torná-lo irrelevante, apagá-lo do mapa político e remodelar a direita brasileira segundo padrões mais aceitáveis ao sistema, com uma missão clara: fazer Jair Bolsonaro desaparecer, ou definhar até a morte.
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, chegou a declarar que “houve um planejamento de golpe” ecoando o entendimento do STF, mas recuou rapidamente após pressão da direita, alegando que “nunca houve planejamento” e que tudo não passou de uma “minuta” mal interpretada. Essa oscilação revela não apenas o clima de tensão interna, mas também a tentativa de setores do Centrão de se desvincular de Bolsonaro, pavimentando o caminho para nomes mais dóceis ao establishment em 2026. A narrativa do golpe, ainda que frágil, tem sido instrumentalizada como justificativa para uma perseguição política que se intensifica semana após semana.
Enquanto isso, Bolsonaro trava uma batalha silenciosa e cruel: a luta pela própria saúde. Internado com anemia persistente e função renal comprometida, o ex-presidente também enfrenta suspeitas de câncer, segundo seu filho Carlos Bolsonaro. Os relatos são preocupantes: vômitos constantes, soluços recorrentes, perda de apetite e episódios de pré-síncope. A facada sofrida em 2018 — cujas investigações foram encerradas sem respostas sobre o mandante — deixou sequelas que jamais foram devidamente tratadas pelo Estado. Agora, diante da fragilidade física, o sistema parece querer dobrá-lo de vez.
A tentativa de apagar Bolsonaro não se restringe à esfera judicial. Há uma pressão crescente para excluí-lo até mesmo de propostas de anistia que visam pacificar o cenário político. É uma ironia amarga: enquanto ditadores e corruptos são frequentemente anistiados ou têm seus processos anulados em nome da “governabilidade”, um líder eleito democraticamente é tratado como um pária por instituições dominadas por seus adversários.
Esse padrão não é exclusivo do Brasil. Nos Estados Unidos, Donald Trump enfrenta uma ofensiva semelhante, com processos judiciais que muitos consideram politicamente motivados. Ambos os líderes representam uma ruptura com o status quo, uma ameaça à hegemonia de elites que há décadas controlam os rumos de suas nações. E como todo sistema que se vê ameaçado, a resposta é previsível: silenciar, punir, apagar.
A esquerda global, frequentemente complacente com regimes autoritários como o de Vladimir Putin ou o Partido Comunista Chinês, mostra-se implacável com líderes de direita. A hipocrisia é evidente. Enquanto Bolsonaro é condenado por supostos riscos à democracia, ignora-se o autoritarismo explícito de regimes que censuram, prendem e eliminam opositores. O problema não está no método — está no alvo.
Jair Bolsonaro pode estar fisicamente debilitado, mas sua presença ainda incomoda. Ele representa uma parcela expressiva da população brasileira que não se vê representada pelo sistema atual. Apagá-lo não é apenas uma injustiça pessoal — é um ataque direto à pluralidade democrática. E se a missão do establishment é fazê-lo desaparecer, cabe à sociedade decidir se aceitará passivamente esse roteiro ou se exigirá que a democracia seja, de fato, para todos.









