A aprovação do PL Antifacção pela Câmara dos Deputados trouxe à tona uma questão que há muito tempo divide o debate público no Brasil: o papel da esquerda na segurança pública. Enquanto a maioria dos parlamentares reconheceu a urgência de endurecer penas contra facções criminosas, os partidos de esquerda se colocaram contra, reforçando um padrão já conhecido. A Criminologia Crítica e o discurso progressista, ao invés de oferecerem soluções para proteger o cidadão, funcionam como um freio ideológico que sabota os esforços de repressão dos marginais.
É inegável que o Brasil enfrenta desigualdades profundas, mas transformar esse problema em desculpa para justificar a criminalidade é uma distorção perigosa. O argumento de que o crime é fruto exclusivo da pobreza desvia o foco da responsabilidade individual e da necessidade de ação policial imediata. Líderes de facções não são vítimas sociais desassistidas; são empresários do crime, que exploram comunidades frágeis para enriquecer. Ignorar essa realidade é enfraquecer o combate ao narcotráfico e ao poder mafioso que domina vastos territórios.
A resistência da esquerda a medidas mais duras contra criminosos de alta periculosidade é outro entrave. Alegam que “aumento de pena não reduz criminalidade”, mas esquecem o princípio básico da segurança: criminoso preso por mais tempo não está na rua ameaçando o cidadão de bem. O foco exagerado nos “direitos humanos” do criminoso ignora os direitos humanos da vítima — o policial, o trabalhador, a família que sofre com a violência. Essa seletividade moral mina a confiança da população nas instituições.
A crítica ao encarceramento em massa também carece de honestidade intelectual. A população carcerária elevada é reflexo da alta criminalidade, não de um Estado punitivista descontrolado. O dever do sistema prisional é neutralizar indivíduos perigosos, garantindo segurança e retribuição. A ideia de que prisões são “universidades do crime” serve apenas para justificar regimes frouxos e progressões de pena que fragilizam a autoridade do Estado e alimentam a reincidência.
Superar essa inércia ideológica exige coragem política. É preciso endurecer penas para crimes hediondos, latrocínio e tráfico de drogas de alto potencial ofensivo. É necessário revisar progressões de regime e acabar com as “saidinhas” para reincidentes violentos. E, sobretudo, investir em inteligência para desmantelar a estrutura financeira das facções, atacando o narcotráfico e o crime de colarinho branco que o sustenta. A segurança do cidadão de bem não pode ser refém de discursos que relativizam a maldade.
Não é difícil entender por que a esquerda insiste nesse discurso. Ao defender minorias encarceradas e criticar o encarceramento em massa, ela solidifica sua base eleitoral e se posiciona como contraponto ao “populismo penal” da direita. Ao transformar o crime em sintoma da desigualdade, legitima programas sociais de larga escala e reforça sua narrativa de que o capitalismo é o verdadeiro culpado. É uma estratégia política, não uma solução de segurança.
O resultado dessa postura é devastador. Facções criminosas se fortalecem, expandem territórios e acumulam poder econômico bilionário. Estima-se que milhões de brasileiros vivam sob governança paralela, dominados pelo narcoterrorismo. A indulgência estatal gera sentimento de impunidade, erosão da confiança no Estado e naturalização da violência. As vítimas — famílias destruídas, trabalhadores assaltados, comunidades sitiadas — tornam-se invisíveis diante da prioridade dada ao bem-estar do criminoso.
O Brasil precisa escolher: continuar refém de uma ideologia que protege o agressor ou assumir a responsabilidade de defender o cidadão honesto. O PL Antifacção é um passo importante, mas só terá efeito real se parte do país abandonar a retórica complacente da esquerda e adotar uma postura firme e intransigente contra o crime organizado. Segurança não é luxo; é condição básica para a liberdade e para a própria democracia.
