É quase um paradoxo político: quando a esquerda ataca a candidatura de Flávio Bolsonaro, ninguém se surpreende. É o jogo natural da disputa ideológica e de poder. Mas quando os tiros vêm de dentro da própria direita, inclusive do núcleo familiar, o cenário se torna não apenas absurdo, mas perigoso. O Brasil já viveu décadas de instabilidade e desgraça sob governos socialistas (uns mais vermelhos que outros) e não pode se dar ao luxo de ver a direita se fragmentar por egos inflados e disputas internas. O inimigo real continua sendo o projeto petista de poder, que sufoca a economia e mina as liberdades individuais.
O episódio envolvendo Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro expôs fissuras que, embora humanas, não podem se transformar em munição para a esquerda. Divergências são saudáveis, mas quando se tornam espetáculo público, apenas fortalecem Lula e seus aliados. É preciso lembrar que o objetivo maior da direita é libertar o país do jugo petista, não alimentar narrativas de desunião. A esquerda agradece cada vez que vê conservadores trocando acusações em praça pública.
Nikolas Ferreira, embora com atitudes questionáveis no passado, ao negar participação no vídeo polêmico, tocou em um ponto essencial: foco. Ele mesmo afirmou que a missão é clara — tirar o PT do poder. Essa é a linha que deveria guiar todos os conservadores. A direita não pode se perder em disputas internas, porque o preço é alto demais.
Romeu Zema e Ronaldo Caiado, ao apontarem críticas a Flávio, demonstram outro problema recorrente: a tentação de construir biografias pessoais às custas da unidade. É legítimo que cada liderança queira se projetar, mas não às custas da missão coletiva. O eleitor decente não quer ver gladiadores em uma arena interna; quer ver soldados alinhados contra o avanço da esquerda. O exemplo de Donald Trump nos Estados Unidos é claro: apesar das críticas ferozes da mídia e da oposição, sua base só se manteve forte porque priorizou a unidade contra o establishment progressista.
Eduardo Bolsonaro, ao rebater ataques de Zé Trovão, lembrou que a memória política não é curta. Quem já se refugiou fora do país para escapar da Justiça não tem autoridade moral para chamar Jair Bolsonaro de covarde. Esse tipo de ataque interno apenas enfraquece a direita e dá combustível para a narrativa petista. É preciso maturidade para entender que a luta não é contra os próprios aliados, mas contra um sistema que já provou ser nocivo ao Brasil.
A oposição brasileira de hoje precisa aprender com os erros da esquerda, que sempre soube se unir em torno de um projeto de poder, mesmo quando divergências internas eram profundas. Enquanto isso, conservadores se deixam guiar pelo ego, esquecendo que o verdadeiro adversário é o socialismo disfarçado de democracia. O Brasil não pode se dar ao luxo de repetir os erros de países que caíram em ditaduras comunistas por falta de coesão entre seus opositores.
No fim das contas, o maior desafio de Flávio Bolsonaro não é Lula, nem o PT. É a própria direita. Se a direita não conseguir conter os desequilibrados e os vaidosos, o país corre o risco de ver mais uma vez a esquerda triunfar. O Brasil precisa de foco, disciplina e unidade. Sem isso, a luta para aposentar Lula será apenas mais um capítulo de frustração na história política nacional.
