Enquanto o governo insiste em apontar risco de intervenção militar dos Estados Unidos após a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, integrantes das Forças Armadas ouvidos reservadamente pela CNN Brasil, avaliam que não há elementos concretos que indiquem tal possibilidade. A leitura dos militares é de que, embora o chanceler Mauro Vieira tenha citado a hipótese em documento oficial, a probabilidade de uma ação norte-americana em território brasileiro permanece distante. Para eles, o cenário exige monitoramento, mas não justifica alarmismo.
O Ministério das Relações Exteriores, ao responder questionamento da Câmara dos Deputados, destacou que a legislação antiterrorismo dos EUA pode gerar implicações para cidadãos brasileiros em áreas como finanças, migração e até no campo penal. O texto assinado por Vieira também mencionou a “possibilidade de uso de força militar dos Estados Unidos em território brasileiro”. No entanto, fontes da Defesa ressaltam que a designação das facções como terroristas abre margem para interpretações, mas não configura uma ameaça imediata. A avaliação é de que a cooperação internacional já seria viável com a classificação de “organizações criminosas transnacionais”.
O documento enviado ao deputado Evair de Melo (Republicanos-ES) reforça que a medida não trará benefícios concretos para o Brasil na cooperação contra o crime organizado. Paralelamente, o ministro da Defesa, José Múcio, participa nesta quarta-feira (7) da Conferência de Ministros da Defesa das Américas, no Peru, onde terá encontro com Elbridge Colby, subsecretário de Guerra dos EUA. A reunião, solicitada pelo governo Lula, terá como pauta central a decisão norte-americana de enquadrar facções brasileiras como terroristas, tema que segue em debate nos meios diplomáticos e militares.

