O Palácio do Planalto realizou nesta quinta-feira (31) uma nova rodada de reuniões para tratar dos impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, mas evitou cogitar negociar com os Estados Unidos temas sensíveis como liberdade de expressão e denúncias de perseguição política a opositores. Embora haja expectativa por uma abertura ao diálogo comercial com o governo Trump, o gabinete de Lula (PT) se limitou a revisar medidas compensatórias voltadas ao setor produtivo nacional. A estimativa inicial é de que 35% das exportações brasileiras aos EUA sejam atingidas pela sobretaxa de 50%, com setores como carne e café entre os mais afetados.
Durante o encontro, ministros petistas como Fernando Haddad (Fazenda) e Rui Costa (Casa Civil) reforçaram a estratégia de mitigar os danos econômicos sem entrar em temas que envolvam a crise institucional que vive o país, como o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a regulação de empresas de tecnologia. Segundo fontes próximas ao governo, o Planalto teme que as pressões recentes de Donald Trump ao Judiciário brasileiro aprofundem a crise diplomática, mas ainda aposta em um canal de negociação com autoridades norte-americanas nos próximos dias.
Apesar de defender publicamente a reciprocidade comercial, o governo Lula tem evitado enfrentar os fatores mais profundos que contribuem para o desgaste nas relações com Washington. Nesse cenário, o retorno do chanceler Mauro Vieira ao país ganha relevância, onde ele deve apresentar ao chefe petista os detalhes da conversa com o secretário de Estado Marco Rubio, que abordou temas sensíveis da agenda bilateral. Enquanto isso, nos bastidores, o Planalto mantém silêncio diante das críticas internacionais ao ambiente político brasileiro e continua rejeitando qualquer revisão sobre as denúncias de cerceamento de liberdades ou perseguição a opositores, o que aprofunda a tensão diplomática e fragiliza o discurso oficial de abertura e diálogo.













