Um mês após os fortes terremotos que atingiram a Venezuela, equipes de resgate ainda conseguem localizar pessoas vivas sob os escombros. Nesta semana, três sobreviventes foram retirados de um prédio destruído em La Guaira, em um episódio raro que contraria as previsões de que não haveria mais chances de encontrar vítimas com vida. A tragédia segue sem números oficiais de desaparecidos divulgados pelo Estado venezuelano, que apresenta estimativas inferiores às registradas por organizações independentes, ampliando a incerteza sobre a real dimensão do desastre.
Plataformas como Venezuela Te Busca, Venezuela Reporta e Desaparecidos apontam, respectivamente, 17 mil, 40 mil e 29,5 mil desaparecidos. Esses registros revelam uma discrepância significativa em relação às informações oficiais, que não apresentam estimativas claras sobre pessoas nessa condição. Caso os números independentes se confirmem, o episódio pode se tornar o segundo mais mortal da América Latina desde 1980, atrás apenas do Haiti em 2010, quando morreram 316 mil pessoas.
Desde o início das operações, quase 40 equipes internacionais atuaram no país, mas a maioria já deixou o território. Permanecem em solo venezuelano grupos dos Estados Unidos e de Israel, que trabalham em conjunto com autoridades locais. Parte do contingente norte-americano está instalada no aeroporto de Maiquetía, que hoje opera apenas voos diplomáticos e humanitários. Outro núcleo está baseado no porta-aviões USS San Antonio, posicionado na costa de La Guaira, enquanto a cidade continua marcada por ruínas, barracas improvisadas e milhares de famílias desalojadas.

