Daniel Ortega, ditador da Nicarágua e já elogiado por Lula em discursos públicos, declarou neste domingo (19) que não haverá mais eleições no país. A medida, anunciada durante ato em Manágua no aniversário da Revolução Sandinista, busca impedir que a oposição chegue ao poder. Ortega, que governa desde 2007, afirmou que opositores vivem no exílio e não terão chance de disputar o governo, consolidando um regime sem alternância política.
As reformas constitucionais aprovadas em 2025 já haviam ampliado o mandato presidencial para seis anos, adiando em tese as eleições para 2027. Organizações internacionais como ONU e OEA criticaram as mudanças, apontando para a ausência de Estado de Direito. O coletivo Nicaragua Nunca Más, sediado na Costa Rica, denunciou que o regime retirou da sociedade civil todos os direitos, fechando mais de 5.600 entidades e cassando partidos políticos. Salvador Marenco, coordenador da organização, afirmou que “a Frente Sandinista tornou-se praticamente um partido único”.
Ortega também anunciou que a Assembleia Nacional, controlada pelo governismo, deve aprovar leis para bloquear opositores, chamados por ele de “golpistas e traidores da pátria”. Além disso, criou o cargo de “copresidente” para Rosario Murillo, sua esposa, sem mandato legítimo, segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos. O episódio reacende críticas ao apoio de Lula ao regime sandinista, quando o petista declarou sentir “orgulho” de ter participado das comemorações da revolução em 1980, que hoje sustenta um sistema ditatorial sem eleições.

