Com a tarifa de 25% prestes a entrar em vigor em 22 de julho, cresce a avaliação de que a negociação com os Estados Unidos só avançará após as eleições de outubro. O governo reconhece que Washington prefere aguardar a definição política no Brasil, diante da possibilidade de que Lula não seja reeleito. Nesse cenário, um novo presidente, menos hostil aos EUA, poderia assumir a condução das tratativas e aceitar condições diferentes das rejeitadas pela atual gestão.
Na quinta-feira (16), o chanceler Mauro Vieira classificou como “inaceitáveis” as exigências apresentadas por Washington, segundo ele, sem contrapartidas para o Brasil. Ele relembrou que em julho de 2025 o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia anunciado uma tarifa de 50% vinculada ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, defendeu em audiência pública que a aplicação da taxa seja adiada e que a renegociação seja retomada após o pleito, afirmando estar confiante em sua eleição.
Apesar da expectativa de paralisação das conversas, o governo Lula afirma que seguirá em contato com setores atingidos para mapear medidas de apoio e buscar alternativas em mercados como Canadá, Emirados Árabes Unidos e Japão. O secretário-executivo do Mdic, Márcio Elias Rosa, declarou que o Brasil aguardará um aceno norte-americano para retomar o diálogo, após reunião com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. Lula, por sua vez, disse que só voltará a comentar o tarifaço quando Trump se manifestar novamente, reforçando que usará a “arma da palavra” como resposta.

