A disputa pela presidência do Senado tornou-se um dos principais focos da direita após as eleições de 2026, com potencial para alterar a relação do Congresso tanto com o novo governo Lula quanto com o Supremo Tribunal Federal. A partir de fevereiro, o PL terá a maior bancada da Casa, com 29 senadores, enquanto levantamento citado pela CNN Brasil aponta que 54 dos 81 senadores já se manifestaram favoravelmente à possibilidade de impeachment de ministros do STF. O primeiro teste dessa nova correlação de forças será a eleição de 1º de fevereiro, na qual Davi Alcolumbre (União-AP), apoiado por Lula para permanecer no comando da Casa, enfrentará candidaturas de oposição.
A oposição, porém, chega dividida. Rogério Marinho (PL-RN) deverá oficializar sua candidatura nesta quarta-feira (4), enquanto Tereza Cristina (PP-MS) decidiu permanecer na disputa depois que os dois não chegaram a um acordo para apresentar um único nome. Tereza tenta se posicionar como alternativa capaz de conquistar senadores do Centrão que rejeitam tanto Alcolumbre quanto Marinho. Ela defende discutir pedidos de impeachment de ministros do Supremo, mas não quer que essa seja a pauta prioritária do Senado, propondo também uma agenda de reformas econômicas. São necessários 41 votos para conquistar a presidência da Casa.
O comando do Senado tem importância particular nessa disputa porque influencia a tramitação de projetos do governo, indicações para o STF e a Procuradoria-Geral da República e o tratamento dos pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. Até o momento, 109 pedidos de impeachment de integrantes da Corte permanecem sem andamento na Presidência do Senado. Marinho afirma que a nova composição da Casa “não será omissa” diante do STF e defende uma atuação mais incisiva sobre essas pautas. Assim, apesar da maioria numérica alcançada pela direita nas urnas, a definição de quem comandará o Senado será decisiva para saber como essa força parlamentar será exercida a partir de 2027.

