O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já recebeu do chefe do USTR, Jamieson Greer, o relatório final recomendando novas tarifas sobre produtos brasileiros. A confirmação foi feita a interlocutores do Governo Federal, que foram informados de que o documento inclui a proposta de um tarifaço de 25%, mas com possibilidade de ampliação da lista de exceções. Greer sinalizou que o anúncio oficial deve ocorrer nesta quarta-feira (15), após reuniões concluídas na terça-feira (14).
Durante o encontro virtual, Greer criticou a postura do governo Lula nas negociações, alegando falta de empenho. Autoridades brasileiras, como o ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), o embaixador Mauricio Lyrio e o assessor Audo Faleiro, contestaram os argumentos norte-americanos, especialmente em relação às acusações de aumento do desmatamento. Segundo os representantes brasileiros, os dados oficiais da Amazônia mostram tendência contrária às alegações feitas pelos EUA. Também foi lembrada a negativa do USTR em aceitar a proposta de reduzir tarifas sobre etanol em troca de maior acesso ao açúcar no mercado americano.
Apesar da rigidez nas posições, Greer afirmou ter “tomado nota” das demandas do setor privado e do governo Lula sobre a ampliação das exceções. Hoje, o tarifaço atingiria 21% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, mas há expectativa de que produtos industrializados escapem da taxação, já que parte significativa do comércio bilateral envolve subsidiárias de empresas americanas exportando peças produzidas no Brasil. O ministro da Secom, Sidônio Palmeira, declarou que o anúncio oficial das tarifas será acompanhado de uma lista ampliada de exceções, o que pode reduzir o impacto imediato sobre a economia brasileira.

