A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) responsabilizou o governo Lula pela decisão dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. Em nota divulgada na quarta-feira (15), a entidade afirmou que a escalada comercial poderia ter sido evitada caso a relação com Washington tivesse sido conduzida de forma “técnica e pragmática”. Para a Fiesp, o alinhamento político adotado pelo Governo Federal, marcado por discursos eleitorais e críticas personalistas, comprometeu uma parceria construída ao longo de mais de dois séculos.
Segundo Paulo Skaf, presidente da Fiesp, o mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado, e a medida unilateral reduz a competitividade da indústria nacional diante de concorrentes globais. A entidade informou que manterá diálogo com parceiros americanos para tentar reverter as tarifas ou ampliar a lista de produtos isentos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também destacou que os efeitos das tarifas aplicadas desde 2025 já vinham pressionando o comércio bilateral, com retração de 13% nas exportações brasileiras para os EUA, equivalente a US$ 2,6 bilhões.
De acordo com a CNI, 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas exportações para os Estados Unidos no primeiro semestre de 2026. Minas Gerais (-18,9%), Espírito Santo (-19,2%), Rio Grande do Sul (-22,6%), Santa Catarina (-32,9%) e Paraná (-32,9%) estão entre os mais afetados. Apesar da redução, os EUA permanecem como principal destino da indústria de transformação nacional. A entidade alertou que, diante do anúncio de novas tarifas, o cenário tende a se agravar, ampliando a insegurança para companhias brasileiras e americanas.

