Representante comercial da Casa Branca levou proposta a Donald Trump; Washington sinaliza possibilidade de ampliar lista inicial de produtos isentos para evitar danos a empresas americanas.
O governo dos Estados Unidos deu por encerradas as negociações bilaterais com o Brasil a respeito da aplicação de novas tarifas comerciais de importação. O chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), Jamieson Greer, informou a interlocutores do governo brasileiro que já encaminhou a recomendação final de tarifas ao presidente Donald Trump. Apesar do encerramento das tratativas formais, o representante americano sinalizou que Washington avalia ampliar a lista de produtos brasileiros isentos das taxas.
Durante a última reunião bilateral, realizada na terça-feira (14), os negociadores brasileiros — liderados pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio em exercício, Márcio Elias Rosa, e por diplomatas do Itamaraty — contestaram os fundamentos técnicos da investigação conduzida sob a Seção 301 da legislação comercial americana. Entre os pontos rebatidos pelo Brasil estão as alegações americanas de aumento do desmatamento, que colidem com os dados oficiais de redução da devastação na Amazônia. Propostas de reciprocidade comercial envolvendo a redução de tarifas sobre o etanol americano em troca de maior acesso do açúcar brasileiro ao mercado dos EUA também foram descartadas pelo USTR.
A expectativa de redução dos danos econômicos concentra-se no comércio de componentes industriais. Representantes do governo brasileiro enfatizaram que parcela significativa das exportações do país é composta por peças e partes produzidas por subsidiárias brasileiras de companhias americanas para abastecer suas matrizes nos EUA. Conforme interlocutores que acompanham o processo, o USTR demonstrou receptividade a esse argumento. Atualmente, o pacote de tarifas estimado ameaça atingir cerca de 21% do valor total das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.

