O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou o pedido da defesa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para que a Polícia Federal (PF) colha depoimento de Lula em investigação que envolve suposta reunião com o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro. A solicitação foi apresentada na quinta-feira (11), mas Moraes decidiu nesta terça-feira (16) que não cabe ao Judiciário impor diligências nesse momento, mantendo o petista fora da oitiva. O caso integra o inquérito que apura suposta calúnia atribuída ao senador contra o líder da esquerda.
A defesa de Flávio Bolsonaro havia insistido na necessidade de ouvir Lula após a PF recusar diligências que poderiam comprovar que o parlamentar não teve intenção de imputar falsamente crimes ao petista. O pedido buscava esclarecer se houve encontro entre Lula e Maduro após a prisão do ditador pelos Estados Unidos, fato que motivou acusações contra o governo Lula. Moraes, no entanto, sustentou que a investigação ainda está em fase inicial e que cabe à Polícia Federal decidir sobre os próximos passos.
Com a decisão, o governo permanece sem prestar esclarecimentos diretos sobre os vínculos com Nicolás Maduro, tema que segue sensível diante da proximidade histórica entre o líder da esquerda e regimes ditatoriais da América Latina. O inquérito contra Flávio Bolsonaro continua em andamento, sem previsão de novas diligências. A negativa de Moraes reforça a blindagem de Lula em processos que poderiam expor relações internacionais controversas, enquanto a defesa do senador busca alternativas para sustentar sua versão dos fatos.

