Líderes das duas maiores economias das Américas não se cumprimentaram em foto oficial na França; governo do PT reage com discurso ideológico contra países ricos enquanto produção nacional corre risco de sofrer barreiras comerciais severas.
O Palácio do Planalto sofreu um duro revés diplomático nesta terça-feira (16) durante a reunião de cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França. Em meio à “foto de família” dos líderes mundiais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o brasileiro Lula mantiveram distância protocolar absoluta, sem trocar apertos de mãos ou olhares, sinalizando o pior momento da relação bilateral entre Brasília e Washington nas últimas décadas. No registro oficial, restou ao petista buscar interlocução com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e com o chefe de Estado egípcio, Abdel Fatah Al-Sisi, enquanto Trump dialogava com o presidente sul-coreano Lee Jae-myung.
O distanciamento ocorre em um momento crítico para a balança comercial brasileira. A agenda do governo petista no evento tinha como foco central desarmar a bomba relógio armada pelo Escritório Comercial dos EUA (USTR), que propôs em junho uma tarifa protecionista severa: uma taxação geral de 25% por práticas desleais e um adicional de 12,5% sob a alegação de conivência do Brasil com o trânsito de mercadorias produzidas por trabalho escravo em países parceiros do Planalto. Sem conseguir sequer uma audiência bilateral com a Casa Branca para negociar as salvaguardas, Lula discordou do G7 e se posicionou contra o “neoliberalismo” e acusou as nações desenvolvidas de “respostas falaciosas”, expondo a total falta de pragmatismo da atual política externa brasileira ante o maior mercado consumidor do planeta.

