A tragédia causada pelos dois terremotos que atingiram a Venezuela deixou em evidência a incapacidade do regime chavista em lidar com a dimensão da catástrofe. Corpos estão sendo deixados ao ar livre em La Guaira (Região Metropolitana de Caracas), sem condições adequadas de armazenamento, enquanto o governo insiste em divulgar números oficiais que não refletem a realidade. A líder interina Delcy Rodríguez anunciou 2.595 mortos, mas relatos de profissionais de saúde apontam que o número real pode ser muito maior, com necrotérios improvisados recebendo centenas de cadáveres diariamente.
Equipes de resgate ainda trabalham para localizar sobreviventes nos escombros, como o caso de Hernán Gil, vigilante de 43 anos, retirado com vida após oito dias preso em uma garagem. Apesar desses esforços, o governo evita informar o total de desaparecidos, limitando-se a divulgar dados parciais sobre resgatados e feridos. Estimativas internacionais, como as do Serviço Geológico dos EUA, indicam que dezenas de milhares de pessoas podem ter perdido a vida, reforçando a percepção de que o regime chavista tenta minimizar a gravidade da crise.
Enquanto cemitérios ficam sobrecarregados e famílias de baixa renda carregam seus próprios mortos até os necrotérios, cresce a indignação diante da omissão oficial. A ONU já declarou que os números divulgados estão abaixo da realidade, e o paradeiro de 146 venezuelanos deportados dos Estados Unidos no dia dos tremores segue desconhecido. A ausência de respostas do governo chavista sobre essas vítimas aumenta a pressão internacional e expõe a falta de transparência em meio à maior tragédia recente do país.

