Depois de um mandato marcado pelo aumento do endividamento público, Lula passou a defender a responsabilidade fiscal como condição para atrair investimentos no próximo governo. Nesta quinta-feira (5), afirmou que o país precisa ter uma “economia arrumada” e declarou: “temos que ter responsabilidade fiscal”. A mudança de tom ocorre enquanto o governo discute medidas para conter a trajetória da dívida e recuperar a confiança dos investidores, mas ainda sem apresentar um novo pacote de ajuste.
Os números mostram uma deterioração relevante durante o atual mandato. A Dívida Bruta do Governo Geral passou de 71,7% do PIB em dezembro de 2022 para 82,9% em setembro de 2026, avanço de 11,2 pontos percentuais e maior nível desde 2021. Apenas em 2026, a alta acumulada chegou a 4,3 pontos. O crescimento foi influenciado principalmente pelas despesas com juros, mas medidas expansionistas adotadas pelo governo, inclusive durante a campanha eleitoral, também aumentaram a pressão sobre as contas públicas. Em 12 meses, o setor público acumulava déficit primário de R$ 70,1 bilhões.
Lula reuniu ministros, ex-ministros e economistas para discutir alternativas, mas nenhuma medida concreta foi anunciada. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as propostas deverão chegar ao petista depois das viagens à Turquia e às Filipinas, na segunda quinzena de novembro. A equipe econômica pretende melhorar gradualmente o resultado primário e impedir que a dívida continue avançando, enquanto economistas apontam que estabilizá-la exigirá um esforço fiscal significativo nos próximos anos.

