Ex-líder do governo Lula comprou área na Bahia por R$ 28 mil e tentou vendê-la por R$ 15 milhões um dia após ser alvo da Polícia Federal. Operação foi travada por ordem do ministro André Mendonça.
Uma reportagem revelou que o terreno de propriedade do senador Jaques Wagner (PT-BA), localizado em Camaçari (BA), registrou uma valorização expressiva de 11.400% (115 vezes) ao longo de 26 anos. Adquirido em março de 2000 por R$ 28 mil — montante que equivale a R$ 133,8 mil em valores corrigidos —, o imóvel teve sua cotação impulsionada durante o período de planejamento e inauguração da Via Metropolitana Camaçari, obra viária projetada durante o mandato de Wagner à frente do Governo do Estado da Bahia e concluída na gestão de seu sucessor, Rui Costa.
A controvérsia ganhou desdobramentos judiciais e policiais após o parlamentar tentar vender a propriedade por R$ 15 milhões para a Lagoons Empreendimentos — empresa com capital social declarado de apenas R$ 1.000 —, exatamente um dia após se tornar alvo de busca e apreensão da Polícia Federal no âmbito das investigações do caso Banco Master. A transação foi bloqueada por um cartório local após determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que decretou o indisponibilidade de bens do senador.
Em declarações à imprensa, Jaques Wagner negou qualquer interferência pessoal no traçado da rodovia para favorecimento próprio e afirmou que abriu mão de indenizações por desapropriação na época da obra. Contudo, o caso amplia a pressão política sobre a cúpula do Partido dos Trabalhadores no Senado e na Bahia, reabrindo o debate sobre conflito de interesses, uso da máquina pública para valorização imobiliária e a eficácia dos mecanismos de controle sobre agentes políticos.

