Há uma máxima que parece reger a política brasileira: a memória seletiva. O caso Master expôs não apenas um esquema bilionário de fraudes financeiras, mas também a habilidade de líderes em negar o óbvio. Lula, mestre em transformar encontros comprometedores em meros acasos, agora se vê diante das revelações de Daniel Vorcaro, o banqueiro que sabia agradar cada gosto em Brasília — charutos, jatinhos, mulheres e, claro, whisky. O presidente insiste que se encontrou apenas uma vez com Vorcaro e que não recebeu nada dele. Mas as mensagens reveladas mostram outra história: agradecimentos por um whisky e abraços enviados por intermédio de um advogado.
Vorcaro, astuto, entendeu o ponto fraco de cada figura em Brasília. Para uns, mulheres; para outros, charutos ou jatinhos. Para Lula, o licor. O banqueiro soube que o caminho para se aproximar do petista passava por um copo de whisky. E foi exatamente nesse detalhe que a narrativa oficial começou a ruir. O problema do licor é que, quando se bebe demais, a memória falha. Talvez seja por isso que Lula hoje diz não lembrar.
A cena lembra o desenho animado de Pinóquio, em que cada mentira alonga o nariz. A diferença é que, no Brasil, cada negação alonga a rejeição à corrupção, marca característica do PT. O partido que se apresenta como defensor dos pobres acumula escândalos que corroem sua pouca credibilidade. O whisky de Vorcaro virou símbolo de uma elite política que se embriaga de privilégios enquanto o povo enfrenta inflação e insegurança.
O encontro de dezembro de 2024 no Palácio do Planalto, com Rui Costa e Gabriel Galípolo presentes, não pode ser tratado como detalhe. A versão oficial de que Vorcaro apenas se queixava de perseguições soa frágil diante das mensagens reveladas. A proximidade entre o poder político e o dinheiro fácil é um traço que o Brasil já conhece bem, e que o PT insiste em repetir.
O PT da Bahia também aparece nas investigações, com programas como o Credcesta e decretos que favoreceram o Master. A legenda tenta se afastar do escândalo, mas as conexões regionais e os abraços de Lula ao banqueiro mantêm o partido dentro da narrativa. A tentativa de jogar a responsabilidade sobre o governo Bolsonaro não convence: quem brindava com whisky era Lula, não Bolsonaro.
Mais grave do que o encontro em si é a naturalização da corrupção. Quando líderes negam evidências claras, transmitem a mensagem de que a impunidade é regra. O Brasil já viu esse filme antes, e o protagonista é sempre o mesmo: um líder que se apresenta como vítima, mas que aparece em mensagens e encontros comprometedores.
O caso Master é mais do que um escândalo financeiro. É um teste para a democracia brasileira. Se o país deseja se afastar da corrupção institucionalizada, precisa aprender que “não lembrar” não é desculpa. A memória seletiva não pode ser escudo para líderes que se embriagam de poder. Vorcaro entendeu o ponto fraco de Lula: o licor. E é justamente nesse detalhe que o discurso do petista se desfaz.
