O regime ditatorial de Daniel Ortega intensificou a repressão política na Nicarágua, prendendo famílias inteiras sob acusações genéricas de “conspiração” e “traição à pátria”. Organizações de direitos humanos denunciaram que pelo menos quatro núcleos familiares foram detidos sem ordem judicial, incluindo ex-militares, líderes religiosos e civis. A prática tem sido usada como forma de punição coletiva contra críticos do regime, que permanece no poder desde 2007 após eleições marcadas por denúncias de fraude e perseguição a opositores.
Entre os casos mais graves está o do general aposentado Álvaro Baltodano Cantarero, acusado de lavagem de dinheiro, e seu filho, que teria criado “20 sociedades de papel” para evasão fiscal. Também foram presos o coronel Carlos Brenes e sua esposa, além do pastor evangélico Rudy Palacios e seus familiares, todos levados à prisão La Granja, em Granada. A família Alonso Estrada sofreu com um possível homicídio: Mauricio Alonso, de 64 anos, morreu após 38 dias desaparecido, já seu filho segue sem paradeiro conhecido. As detenções ocorrem sem transparência e sem garantias legais mínimas.
Familiares de desaparecidos lançaram um apelo internacional, comparando as mortes sob custódia ao período da ditadura de Somoza. Rosa Ruiz, mãe do médico Yerry Estrada, declarou: “Não sei se meu filho está vivo ou morto”. Sadie Rivas, filha de outro opositor detido, afirmou que “o silêncio oficial confirma a crueldade do regime”. Os relatos apontam que mais de 30 pessoas estão desaparecidas há mais de dois anos. Líderes familiares pedem apoio à ONU e ao governo dos Estados Unidos para pressionar por respostas e libertações.











