O PT decidiu concentrar esforços em São Paulo e adiar o lançamento da candidatura de Lula à reeleição. A sigla avalia que o momento não é favorável para antecipar a corrida nacional e, por isso, pretende pressionar Fernando Haddad a disputar o governo paulista. A movimentação ocorre durante as comemorações dos 46 anos do partido em Salvador, onde o evento político terá como prioridade definir o palanque no maior colégio eleitoral do país, considerado decisivo para 2026.
A indefinição em torno de São Paulo é vista como o principal obstáculo para o plano nacional do PT. Lula tenta convencer Haddad a assumir a disputa majoritária, mas o ministro da Fazenda resiste e cogita concorrer ao Senado. A direção petista considera que a candidatura de Haddad pode compensar a derrota expressiva do partido no estado em 2022, quando o líder da esquerda perdeu por mais de 2,6 milhões de votos. A pressão interna será explícita, com lideranças como Gleisi Hoffmann defendendo publicamente que Haddad “vista a camisa” e entre na disputa.
Além da questão paulista, o evento em Salvador também marca a tentativa de reabilitação de antigos quadros do partido, como José Dirceu, João Paulo Cunha e Delúbio Soares, que devem concorrer a vagas na Câmara dos Deputados. O encontro terá mesas sobre comunicação, cultura e política externa, transformadas em bandeiras para a campanha de 2026. A Bahia segue como reduto estratégico do PT, mas a ausência de renovação interna e a dependência de nomes históricos evidenciam os problemas do Governo Federal na construção de uma narrativa eleitoral consistente para os próximos anos.

