A entrada em operação da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (Unef), subordinada à Polícia de Segurança Pública de Portugal, marca uma mudança drástica na abordagem migratória do país. Com poder para executar expulsões e gerir processos de retorno voluntário, a Unef coloca em risco milhares de imigrantes em situação irregular, incluindo brasileiros que aguardam há anos por autorizações de residência. O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa emitiu alerta à comunidade, recomendando que todos portem documentos válidos durante deslocamentos em vias públicas.
A nova força policial foi criada após a extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), e já assumiu cerca de 100 mil processos pendentes de afastamento, alguns parados há décadas. Em Lisboa, estima-se que existam 20 mil casos ativos. O governo português defende que a Unef trará mais eficiência ao sistema migratório, mas representantes da comunidade brasileira e organizações civis apontam risco de criminalização da imigração. A Unef iniciou suas atividades com 1.200 agentes, número que deve chegar a 2 mil nos próximos anos.
O Consulado brasileiro orienta que, em caso de abordagem, os cidadãos colaborem com as autoridades e apresentem documentos que comprovem vínculo com Portugal, como contratos de trabalho, comprovantes de contribuição à Seguridade Social ou decisões judiciais de agendamento. Em caso de detenção, o imigrante tem direito à defesa judicial e pode solicitar advogado público. O diplomata Alessandro Candeas reforçou que todo brasileiro, independentemente do status migratório, deve ser atendido pelo consulado e que o Brasil acompanha o processo, esperando respeito aos tratados bilaterais.









