A retomada agressiva da política comercial de Donald Trump em 2026 está redesenhando as cadeias produtivas globais, mas o custo da “independência industrial” americana está se provando salgado. Com a manutenção de tarifas de 50% sobre o aço e alumínio (Seção 232), o governo republicano tenta blindar as siderúrgicas locais, mas acaba asfixiando os setores que mais consomem esses materiais: montadoras, fabricantes de máquinas e a construção civil.
Relatórios da Associated Press e da Tax Foundation mostram que o otimismo inicial de alguns setores esbarra agora na realidade contábil:
Margens esmagadas: Empresas que dependem de componentes metálicos importados relatam um aumento imediato de despesas. Sem conseguir repassar todo o custo para o consumidor de uma só vez, o resultado é o congelamento de contratações e o adiamento de investimentos.
O mito do fornecedor estrangeiro: Ao contrário do que a retórica política sugere, o estudo da Tax Foundation indica que são as empresas e consumidores americanos que estão pagando a maior parte da fatura, já que os fornecedores externos ajustaram seus preços apenas de forma marginal.
Retaliação agrícola: Como em um jogo de xadrez, o setor agrícola dos EUA volta a ser o alvo preferencial de retaliações internacionais, perdendo mercados importantes enquanto as tarifas industriais sobem.
Com os juros já em patamares elevados, o aumento dos bens intermediários (peças, máquinas e insumos) joga gasolina na fogueira da inflação. Somado à alta do petróleo e aos gargalos logísticos gerados pelo conflito com o Irã, o Banco Central americano se vê em uma encruzilhada: manter os juros altos para segurar os preços ou baixar para evitar uma recessão industrial.

