A direção do PL e aliados da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliam que não há mais possibilidade de reconciliação entre o senador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro antes da eleição marcada para 4 de outubro. A constatação interna é de que Michelle não demonstra interesse em retomar qualquer proximidade, e por isso não faria sentido insistir em uma reaproximação. A expectativa entre dirigentes é apenas de que não surjam novas críticas públicas que possam desgastar ainda mais a pré-campanha
O rompimento entre os dois, oficializado em 24 de junho após Michelle publicar vídeos acusando o enteado de tê-la “apunhalado” e “humilhado”, representa um impacto direto na estratégia eleitoral de Flávio. A ex-primeira-dama presidiu o PL Mulher, ampliou a base feminina da legenda e mantém diálogo com líderes religiosos de peso, especialmente entre evangélicos. A perda desse vínculo é considerada um obstáculo para o senador, que busca consolidar apoio em segmentos que foram fundamentais para o crescimento da direita nos últimos anos.
Além da ruptura, há desconfiança entre os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre uma possível aproximação de Michelle com o ministro Alexandre de Moraes, do STF. A decisão de Moraes de suspender visitas de Flávio ao pai, após a divulgação da carta escrita pelo ex-presidente, foi interpretada como uma medida que favoreceria Michelle, posicionando-a como interlocutora exclusiva de Bolsonaro. Embora aliados da ex-primeira-dama neguem qualquer articulação direta com o magistrado, destacam que ela defende uma postura de diálogo, em contraste com a linha de enfrentamento adotada por outros membros da família.

