A eleição de Erika Hilton (Psol-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados gerou forte reação entre parlamentares da oposição, especialmente das mulheres no Congresso. Um recurso protocolado nesta semana aponta que a votação foi conduzida de forma irregular e que não houve legitimidade democrática no processo. O documento, encaminhado pela deputada Chris Tonietto (PL-RJ) ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sustenta que a escolha de Hilton não refletiu a vontade da maioria das integrantes do colegiado.
Segundo Tonietto, na primeira rodada de votação, a chapa única liderada por Hilton recebeu apenas 10 votos favoráveis, enquanto 12 parlamentares optaram pelo voto em branco. Como a comissão possui 22 membros, a deputada argumenta que os votos em branco representaram maioria absoluta, o que deveria ter impedido a eleição da candidata. A parlamentar ressalta ainda que, na urna, não há opção de voto “não”, sendo o voto em branco a única forma de manifestar discordância. Apesar disso, foi realizada uma segunda rodada, considerada irregular pela oposição, já que o regimento prevê novo escrutínio apenas quando há mais de uma candidatura.
O recurso, assinado por 20 deputados, solicita quatro medidas: o reconhecimento de que não pode haver segundo turno em caso de chapa única; a anulação da segunda votação; a realização de nova eleição; e a exigência de que o Psol apresente candidaturas fruto de acordo ou com mais de uma opção. A oposição também afirma que a segunda rodada foi encerrada antes do tempo, restringindo a manifestação dos integrantes. Hilton, por sua vez, declarou que pretende conduzir o colegiado em defesa da dignidade de todas as mulheres, incluindo transexuais e travestis, sem abrir espaço para exclusões.

