O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), criticou nesta quarta-feira (19) a postura do Governo Federal diante da votação do Marco Legal de Combate ao Crime Organizado. Segundo ele, o governo “optou pelo caminho errado” ao orientar voto contrário ao projeto, aprovado por ampla maioria de 370 votos a 110. Motta afirmou que a Segurança não pode “ser refém de falsas narrativas” e reforçou a necessidade de união para enfrentar a criminalidade. O relator Guilherme Derrite (PP-SP) também destacou que esteve “100% à disposição para o diálogo”, mas não foi procurado pelo Governo Lula, reforçando o isolamento da esquerda na pauta antifacção.
Enquanto a Câmara aprovava medidas de endurecimento contra o crime, o Senado vivia um novo capítulo de tensão entre Lula e Davi Alcolumbre (União-AP). O impasse sobre a indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) levou Alcolumbre a romper diálogo com Jaques Wagner (PT-BA), considerado um dos articuladores da escolha de Jorge Messias para a Corte. A crise se agravou após reunião no Palácio do Planalto, quando Lula tentou convencer Rodrigo Pacheco a disputar o governo de Minas Gerais, abrindo espaço para Messias no STF. Pacheco, no entanto, sinalizou que pretende encerrar sua carreira política ao fim do mandato, frustrando os planos do PT.
Nos bastidores, aliados avaliam que a resistência de Alcolumbre à indicação de Messias cresceu nos últimos dias, tornando o cenário ainda mais difícil para o governo Lula. Há quem defenda que a nomeação já esteja consolidada, mas outra ala considera que ceder ao Senado seria “desgastante demais” para Lula, o que pode levar a uma estratégia de adiamento. A combinação da aprovação do marco antifacção na Câmara e da crise no Senado expõe o enfraquecimento da articulação política do Governo Federal, que enfrenta pressões simultâneas em temas de segurança pública e na definição da vaga do STF.










