A deputada federal Erika Hilton (PSol) enfrenta uma ação civil pública movida pela ONG feminista ‘Matria’, protocolada no domingo (22). O processo pede punição à parlamentar por declarações feitas em 11 de março, quando chamou seus críticos de “transfóbicos e imbeCIS”, “esgoto da sociedade” e afirmou que “podem latir”. A entidade solicita que Hilton seja obrigada a apagar a postagem e publicar uma retratação em até 24 horas, além de pagar multa de R$ 500 mil destinada ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), ligado ao Ministério da Justiça.
A publicação ocorreu logo após Hilton assumir a presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados, tornando-se a primeira mulher trans a ocupar o cargo. Em sua mensagem, a deputada afirmou ter “feito história” e mencionou episódios de discriminação vividos na adolescência. O conteúdo alcançou 482 mil visualizações na plataforma X, recebeu 16 mil curtidas e gerou mais de 4 mil comentários. Apesar da repercussão, pesquisa do instituto Real Time Big Data mostra que 84% dos eleitores rejeitam a escolha de Hilton para comandar a comissão.
Na representação, a ONG ‘Matria’ acusa a parlamentar de tentar silenciar adversárias políticas por meio de ataques pessoais. O documento, assinado pela advogada Aída Laurete de Souza, afirma que: “este tipo de agressão verbal tem um propósito claro: o silenciamento”. O texto destaca que a liberdade de expressão não pode ser usada como “licença para ofender” e que a postura da deputada ameaça a pluralidade de ideias, considerada essencial em uma sociedade democrática.

