Não há nada mais cínico na política externa brasileira atual do que a súbita preocupação de Lula com a “soberania nacional”. Durante anos, o PT e a esquerda trataram o investimento em defesa com desdém, cortando orçamentos e sucateando nossas fronteiras. Mas bastou Donald Trump sinalizar que vai colocar o PCC e o Comando Vermelho na lista de grupos terroristas para que o Palácio do Planalto entrasse em pânico.
A fala de Lula sobre “reforçar a defesa para evitar invasões” é um código mal disfarçado. O governo não está com medo de uma ocupação territorial; ele está com medo de que a tecnologia e a inteligência dos EUA alcancem os chefões do crime que o Estado brasileiro, por incompetência ou conivência, não consegue (ou não quer) prender.
Ao classificar facções brasileiras como terroristas, Trump retira a “soberania” da impunidade. Isso permite o congelamento global de bens e a pressão direta sobre o sistema bancário brasileiro, que seria obrigado a escolher entre servir ao crime ou operar no mercado internacional.
Quando Lula diz que o Brasil precisa se preparar porque “qualquer dia alguém invade”, ele está, na prática, tentando ressuscitar um Exército que ele mesmo enfraqueceu, não para proteger o povo brasileiro da violência das facções, mas para proteger as facções da “mão pesada” de Washington. É a soberania sendo usada como desculpa para manter o quintal livre para o narcotráfico.
Estamos falando de um governo que se esconde atrás de dados manipulados do IBGE. O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) acabam de pedir o afastamento do presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Márcio Pochmann, por suspeita de irregularidades na gestão. A realidade aponta que mais de 47% dos brasileiros avaliam a gestão do Governo na segurança como ruim ou péssima e indicando piora. O feminicídio bateu recorde em 2025, com 1.470 casos, e houve aumento na letalidade policial em alguns estados. Quer defender o Brasil de invasores? Comece defendendo comunidades e escolas da invasão do tráfico.
Ao sugerir parcerias com o “Sul Global” para produzir armas, Lula busca aliados que compartilham do mesmo desprezo pelas leis internacionais de combate ao tráfico. É o isolacionismo estratégico: criar uma bolha de proteção onde o crime transnacional possa operar sem o risco de um míssil cirúrgico americano ou de uma extradição sumária.
O Brasil não precisa de defesa contra Trump; o Brasil precisa de defesa contra o crime que mata 40 mil brasileiros por ano. Soberania se adquire retomando o território das mãos dos criminosos. Do contrário, o que Lula está defendendo não é o Brasil, é a República do narcotráfico.








