Após intensas negociações na Suíça, Estados Unidos e Irã assinaram um memorando de 14 pontos que prevê a abertura do Estreito de Ormuz e o compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares. O entendimento foi alcançado após 18 horas de reuniões entre as delegações, encerradas na sexta-feira (19), e anunciado nesta segunda-feira (22) por mediadores do Catar e do Paquistão. O documento estabelece bases para negociações técnicas que devem se estender por 60 dias, com retomada imediata das conversas.
O acordo também inclui medidas voltadas à segurança regional, como a criação de um canal de comunicação para garantir a passagem de navios comerciais em Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% dos hidrocarbonetos mundiais. Segundo o texto, o tráfego marítimo será restabelecido em até 30 dias, após a retirada de minas. Além disso, foi proposta a formação de uma célula de gestão de conflitos, composta por representantes dos EUA, Irã e Líbano, com o objetivo de encerrar operações militares no território libanês.
Apesar dos avanços, persistem contradições. A Guarda Revolucionária iraniana declarou no sábado (20) que o estreito permanece fechado, acusando EUA e Israel de violarem compromissos de cessar-fogo. O vice-presidente americano, J. D. Vance, rebateu afirmando que não há evidências de bloqueio. Enquanto isso, Teerã anunciou que parte dos ativos congelados foi liberada e que um plano de reconstrução e desenvolvimento, estimado em US$ 300 bilhões, já está em andamento. Israel, por sua vez, mantém oposição à retirada de tropas do sul do Líbano, o que pode dificultar a consolidação do acordo.

