Os Estados Unidos decidiram suspender relações comerciais com a Espanha depois que o governo socialista de Pedro Sánchez recusou o uso de bases militares em território espanhol para operações contra o Irã. A medida foi anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou a postura espanhola como “terrível” e afirmou que Washington não pretende manter vínculos comerciais com Madri. A decisão amplia a tensão entre os dois países, que já vinham enfrentando divergências dentro da Otan sobre investimentos em defesa.
O impasse começou quando o governo espanhol rejeitou a utilização das bases de Rota e Morón, na Andaluzia, alegando que a ofensiva contra o Irã não se enquadrava na Carta das Nações Unidas. Sánchez defendeu que é possível condenar o regime iraniano sem apoiar uma intervenção militar considerada “injustificada, perigosa e fora da legalidade internacional”. Além disso, o líder socialista criticou Israel, acusando o país de cometer genocídio em Gaza, o que ampliou o desgaste diplomático com aliados ocidentais.
Autoridades espanholas reforçaram que as instalações militares em seu território são de soberania nacional e só podem ser usadas em operações previstas em acordos bilaterais ou que respeitem o direito internacional. O chanceler José Manuel Albares destacou a participação da Espanha em missões no Líbano, nos países bálticos e no Iraque como prova de seu compromisso com a segurança euro-atlântica. A crise entre Trump e Sánchez também está ligada à recusa do governo espanhol em elevar os gastos militares a 5% do PIB, exigência feita pelo presidente americano a todos os parceiros da Otan.

