A companhia aérea Azul solicitou proteção judicial nos Estados Unidos com base no chamado Chapter 11, equivalente ao processo de recuperação judicial no Brasil. A medida, anunciada nesta quarta-feira (28), visa reestruturar o pesado endividamento da empresa, que, segundo o CEO John Rodgerson, tem origem na pandemia, na alta de juros e na desvalorização cambial. A iniciativa busca “tirar peso das costas” das operações no Brasil, enquanto mantém os voos e reservas normalmente em andamento.
O processo conta com apoio de credores, arrendadoras e das norte-americanas United e American Airlines, que também se tornarão acionistas. A Azul afirmou que deve eliminar mais de US$ 2 bilhões em dívidas e já garantiu um financiamento de US$ 1,6 bilhão, além de novos aportes de capital. A movimentação ocorre após a suspensão das negociações para uma possível fusão com a Gol, que já está em recuperação judicial desde janeiro. “Ao desalavancar, a Azul voará mais alto”, disse Rodgerson ao Painel S.A.
Embora o mercado já acompanhasse os sinais de crise, o anúncio gerou forte reação negativa. As ações da Azul chegaram a cair 40% em Nova York antes da abertura do pregão, refletindo a instabilidade da empresa que recentemente reportou prejuízo de R$ 1,82 bilhão no trimestre. Com isso, a Azul se junta às demais companhias brasileiras que recorreram a tribunais estrangeiros diante da falta de apoio interno, cenário que reforça as dificuldades enfrentadas por empresas que operam sob um ambiente regulatório e econômico hostil no país.











