O presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Bolívia, Romer Saucedo, deixou o país com a família após a Promotoria emitir uma ordem de prisão contra ele por suspeita de tráfico de substâncias controladas e organização criminosa. A ordem foi expedida na terça-feira (3), um dia antes de o magistrado anunciar publicamente que havia saído da Bolívia. O procurador-geral interino, José Armando Urioste, confirmou a existência da ordem e informou que a investigação está sob sigilo por envolver testemunhas protegidas.
Saucedo afirmou estar no “exílio” com a esposa e os três filhos e alegou que sua liberdade e sua vida estariam em risco. O magistrado acusa o governo de Rodrigo Paz de perseguição política e afirma que provas seriam fabricadas para desacreditá-lo. As autoridades, porém, investigam como ele deixou o território boliviano, já que seu registro migratório indicava entrada no país na terça-feira, mas não uma nova saída. A Promotoria trabalha com a hipótese de que Saucedo tenha cruzado uma fronteira por terra e informou que pretende solicitar uma notificação vermelha da Interpol.
O caso amplia a crise envolvendo integrantes do sistema judicial boliviano. Saucedo foi eleito magistrado por voto popular em 2024 e assumiu o TSJ em 2025. Após sua saída, a corte designou Rosmery Ruiz para exercer interinamente a presidência e deu prazo de seis dias para seu retorno, sob risco de caracterização de abandono das funções. A investigação contra Saucedo também tem relação, segundo a Promotoria, com o caso do ex-procurador-geral Roger Mariaca, detido em outra investigação envolvendo suspeitas de proteção institucional ao narcotráfico.

