O líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), reconheceu nesta quinta-feira (18) que tratou da compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. O imóvel, localizado no bairro Horto Florestal em Salvador, é citado na 9ª fase da operação Compliance Zero, que apura possíveis favorecimentos políticos ligados à instituição financeira. Wagner afirmou que o negócio tinha como objetivo beneficiar sua filha, sugerindo a Lima uma dinâmica de compra e recompra do apartamento ainda em construção.
A Polícia Federal investiga se a transação pode ter relação com atuações de Wagner em defesa de interesses ligados ao Master, fundado por Daniel Vorcaro, atualmente preso em Brasília. O senador declarou não possuir vínculos diretos com o banco ou com a operação CredCesta, e disse que seu patrimônio está devidamente declarado no imposto de renda. A unidade em questão, o apartamento 1702 do empreendimento Poème Horto, tem previsão de entrega para setembro de 2026 pela construtora Moura Dubeux.
A defesa de Augusto Lima, por sua vez, negou qualquer irregularidade e afirmou que o investidor sempre atuou dentro dos limites da lei e com transparência. Os advogados destacaram que Lima está há meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos e consideraram desnecessárias as diligências realizadas pela Polícia Federal. Além disso, parte do dinheiro em espécie encontrado pela PF estava em um quarto do Brasília Palace Hotel, pago com recursos do Senado em nome de Wagner, que declarou se tratar de diárias recebidas em viagens internacionais.

