Enquanto o regime venezuelano anunciou nesta quinta-feira (8) a libertação de opositores e estrangeiros detidos por razões políticas, o Governo Federal seguiu caminho oposto ao vetar integralmente o projeto de lei da dosimetria, que previa a redução de penas para condenados por supostos atos golpistas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A medida tomada por Lula reforça a manutenção das prisões ligadas aos episódios de 8 de janeiro de 2023, em contraste com a decisão da Venezuela de abrir espaço para a liberdade de pessoas vinculadas a atividades político-partidárias.
Na Venezuela, o chefe do Parlamento, Jorge Rodríguez, afirmou que a soltura é um gesto unilateral do governo bolivariano, sem influência externa, negando qualquer pressão do governo dos Estados Unidos para soltar presos da oposição ao regime. Entre os primeiros libertados estão espanhóis presos há mais de um ano e a ativista Rocio San Miguel. A presidência interina de Delcy Rodríguez agradeceu o apoio de países como Catar e do ex-presidente espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, além de Lula, que respondeu ao apelo da nova liderança. Apesar disso, o contraste é evidente: enquanto o petista reforça a narrativa de golpe para manter opositores encarcerados, Caracas sinaliza uma abertura política que pode aproximar o país de práticas democráticas.
Organizações de direitos humanos destacam que ainda existem centenas de presos políticos na Venezuela, mas reconhecem que a decisão representa um avanço diante das arbitrariedades cometidas pelo regime chavista. O Fórum Penal estima 806 detidos por razões políticas, dos quais 175 são militares. Já no Brasil, o veto de Lula ao PL da dosimetria mantém opositores sob penas severas, em um movimento que lembra os argumentos usados por Nicolás Maduro para justificar prisões de adversários. O contraste entre os dois países evidencia caminhos distintos: a Venezuela ensaia uma flexibilização, enquanto o governo Lula endurece contra seus opositores.

