O avanço acelerado do mercado de apostas esportivas eletrônicas no Brasil acendeu o alerta máximo no Congresso Nacional. Em audiência pública realizada no Senado, especialistas, representantes do Ministério da Saúde e órgãos de defesa do consumidor defenderam um endurecimento severo nas regras do setor, com foco na restrição da publicidade e no controle do endividamento das famílias. O debate evidenciou que os impactos das chamadas “bets” ultrapassaram a esfera do entretenimento e já configuram um grave desafio de saúde pública e de estabilidade social.
Os dados apresentados durante a sessão expõem a magnitude da crise comportamental e financeira. O Ministério da Saúde revelou que mais de 25 milhões de brasileiros realizaram apostas recentemente, provocando uma explosão de 140% nos atendimentos do SUS relacionados ao vício em jogos desde 2018. Paralelamente, o Procon-SP apontou que o setor superou todas as projeções iniciais e já movimenta mais de R$ 350 bilhões, vindo acompanhado de um salto nas queixas de consumidores sobre propaganda enganosa, retenção de prêmios e bloqueio de contas.
Diante do cenário alarmante, que já registra relatos extremos de tragédias familiares e suicídios motivados por dívidas de jogo, parlamentares e técnicos cobram medidas imediatas de contenção. Entre as principais propostas apresentadas estão a criação de um teto compulsório de gastos por CPF, a limitação de horários para o funcionamento das plataformas e o bloqueio total de anúncios que atinjam crianças e adolescentes. A sinalização do Senado é de que a agenda de restrições deve avançar nos próximos meses para frear os danos sociais da atividade no país.

